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Vício em Tecnologia: entre o fascínio e a doença

Vício em Tecnologia

Entrevista com Dr. Odair Comin | Por Gleissilei Souza

Tão negativa quanto o vício em drogas, a sede pelo novo enaltece o status social e banaliza as evoluções tecnológicas

Vício em Tecnologia

Novos lançamentos que atraem filas cada vez maiores. Evoluções tecnológicas que prometem satisfazer as mais superficiais necessidades humanas e acabam por mudar a mente a as relações sociais. Esses são alguns exemplos da transformação do mundo moderno pela corrente revolução tecnológica.

Ao redor do mundo, milhares de pessoas formaram filas enormes do lado de fora das lojas para comprar o novo tablet da Apple, lançado pouco mais de um ano após a segunda versão. O lançamento do novo iPad é um exemplo da mobilização de como a tecnologia tende a criar uma influência gigantesca em nossas vidas. “Já não conseguimos mais imaginar a vida sem a internet e todas as suas possibilidades, ou sem os aparelhos que dão acesso a ela”, afirma Odair J. Comin, psicólogo clínico e especialista em hipnose.

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As novas tecnologias estão ao nosso redor e passam quase despercebidas, o que leva algumas pessoas a elevar sua relação com a tecnologia ao extremo, tornando-se viciadas. “Um vício, seja ele por drogas, jogo, compras, sexo ou tecnologia, sequestra a psique. Toma posse da vida emocional do indivíduo e este acaba por desejá-lo cada vez mais”, relata Comin.

A sociedade na qual vivemos está marcada por grandes evoluções e mudanças que agregam facilidades ao dia a dia, mas também trazem inquietações, frustrações e ansiedade devido à variedade de aparatos tecnológicos e recursos. As relações humanas são alguns dos fatores mais afetados por essa avalanche de novidades. “É mais fácil escrever um e-mail, teclar num chat ou mesmo clicar em um ícone do que pegar o carro ou andar até o bar mais próximo para encontrar um amigo”, conta Carlos Andreguetto, coordenador do setor de Tecnologia da Informação da Câmara Alemã de Curitiba.

Domínio pela mente

Os avanços tecnológicos provocam a transformação do homem em refém dependente e codependente desse sistema. “Cria-se uma relação de vinculo afetivo mecânico e virtual. Nesse momento, se estabelece uma necessidade física e emocional a uma variedade de recursos tecnológicos, tais como celular, internet, MSN, redes sociais, iPhone, iPod etc.”, explica Ellen Dejanni, psicóloga pós-graduanda em Saúde Mental.

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Influenciadas pelo marketing, que busca instaurar essa necessidade pelos bens de consumo, as pessoas tornam-se sedentas por novidades. “Como o objetivo é vender, criou-se o padrão de ter para ser. A moda, que hoje é traduzida pelo ‘novo’, é a imposição que cria naquele que a possui a falsa impressão de ele é um privilegiado, que é especial, que tem status, que está no topo da modernidade”, salienta o psicólogo Odair J. Comin.

Os viciados em tecnologia não se dão conta da efemeridade de suas necessidades pelas novidades mercadológicas. Segundo Comin, o indivíduo deve ter a iniciativa em questionar se a sua aquisição será realmente útil ou se realmente precisa disso: “Pergunte-se: és tu senhor ou escravo da tecnologia? E seja sincero com a resposta, este é o primeiro passo para a liberdade”, finaliza.

Fonte: Portal O Estado RJ.

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