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Inteligência Emocional — Entrevista com Dr. Odair Comin

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Inteligência Emocional

Entrevista à Juliany Bernardo

 

 

1. O que é inteligência emocional?

  1. A inteligência emocional é o equilíbrio que se estabelece com os diferentes sentimentos humanos e como eles interagem tanto no mundo interno como no mundo externo. Diz respeito às emoções como virtudes, emoções que trilham um caminho do meio, que se prestam a harmonizar o mundo interno. E quando elas são expressadas na relação com o outro e com o mundo, devem ser construtivas. A inteligência emocional é a habilidade de utilizar as emoções em favor de si, em favor de um bem viver.

 

2. Como ela pode ser trabalhada a favor das mulheres?

  1. Temos no senso comum que a mulher vive mais intensamente suas emoções. A mulher tende a ser mais permissiva com suas emoções, ela deixa aflorar com mais facilidade. E isso é muito bom, pois acaba por criar uma conexão muito mais forte com o objeto de sua emoção. A emoção é combustível, é energia, e para ter um melhor aproveitamento dessa força é preciso que a razão esteja no comando. É a junção da emoção com a razão que torna a emoção inteligente.

A partir do momento em que se desenvolve a inteligência emocional, pode-se com isso, aprender a usar em favor próprio. Para tanto, é necessário autoconhecimento e aprender a identificar como cada emoção interage com você e que tipo de influência ela tem sobre você e cada situação.

 

3. Carreira e maternidade, reuniões importantes no trabalho, problemas no casamento e problemas em família podem ser temas muito estressantes. Quais as dicas para que as mulheres utilizem a inteligência emocional para lidar com cada um desses tópicos (o senhor pode listar e falar sobre cada um individualmente)?

  1. Carreira e maternidade: A dupla jornada sempre foi algo familiar para as mulheres, e por certo elas conduziram isso com excelência. Contudo, as exigências são cada vez maiores. Não basta ser apenas mãe, ela precisa ser uma supermãe; não basta ser profissional, precisar se superar o tempo todo. Com tais demandas, a inteligência emocional é necessária para buscar um equilíbrio entre os dois papéis. Sendo que as vezes ela precisa priorizar um ou outro. E neste momento, a sensação de culpa pode surgir. Ela precisa então confiar em seu próprio discernimento e intuição, buscar fazer o seu melhor e o que é possível nos diferentes papéis em cada momento. Olhar mais para a realidade individual e menos para as concepções sociais.

 

Casamento e família: ser mãe e ser esposa são dois papéis diferentes e nenhum pode suplantar o outro. Ambos precisam coexistir para que essa dualidade torne-se saudável. Isso precisa estar bastante claro para a mulher. A inteligência emocional irá ajuda-la a ter o discernimento necessário para que avalie cada situação. E possa assim, fazer escolhas que levem em consideração os dois aspectos.

 

 

4. Quais os principais erros das mulheres quando lidam com sua inteligência emocional?

Como corrigi-los?

* Acreditar que os sentimentos bastam: É importante que a mulher aprenda a utilizar sua razão. Com isso poderá ponderar melhor cada situação e tomar decisões mais assertivas.

* Tornar-se refém de uma emoção: Emoções como medo ou ciúme, facilmente fazem reféns. Isso enfraquece a mulher, dando a impressão de incapacidade e desvalorizando seu papel. É necessário buscar formas para lidar com tais sentimentos, e superá-los. Lucidez e coragem se fazem necessário. Portanto, busque sempre o antídoto para a sua emoção, quando ela te limita. E busque colocar em prática.

 

* Achar que não é capaz de controlar suas emoções: A mulher tem toda a capacidade de lidar com suas emoções. Contudo, em muitas situações a sociedade vende a ideia de que ela não é capaz. E por vezes, a mulher acredita em tal paradigma. Acreditar em algo é o primeiro passo para tornar-se realidade. Coloque como meta acreditar apenas em coisas que te fazem bem, que te fazem evoluir. E assim será.

 

* Desproteção de suas emoções: Normalmente a mulher não é ensinada a lidar com suas emoções nos diferentes ambientes, e principalmente no trabalho. O que acaba tornando-a um alvo. É preciso aprender a separar, e ter claro o lugar da mulher e da profissional. As emoções no ambiente de trabalho devem ser usadas se realmente forem úteis, do contrário, devem ficar protegidas em seu universo interior. Não há necessidade de se expor, pois normalmente essa exposição será utilizada contra você em algum momento. O ser humano por natureza busca se sobrepor ao outro, ter o poder sobre o outro. E uma das formas é por meio do jogo com as emoções.

 

5. Quais as dicas gerais para viver bem com suas emoções?

* Leia Filosofia, é uma forma de conhecer melhor o significado de cada emoção e como elas se manifestam em você;

* Na medida em que você percebe uma emoção em curso, tente apropriar-se dela buscando entende-la em suas razões;

* Não tente evitar uma emoção, por mais que ela te cause mal. Tente entende-la, e assim poderá controlá-la;

* Não tente maquiar uma emoção em si, só porque ela é “mau vista”. Aceite-a, torne-se amiga desta emoção. Equivale a máxima de manter seu inimigo por perto, assim observará toda a movimentação e poderá se antecipar à sua ação;

* Não se culpe por sentir esta ou aquela emoção. Pois somos passível de sentir todas elas, e tudo bem.

 

6. Deseja acrescentar alguma informação?

  1. As emoções estão presentes o tempo todo em nossas vidas. Aprender a lidar com elas é condição para o bem viver. Com isso, faz-se necessário o autoconhecimento e a autorevisão constantes. Busque sempre se conhecer sob os diferentes aspectos e frente aos diferentes papéis que desempenha, seja na vida privada ou profissional. Para ser excelente e evoluir em qualquer circunstância, o bom uso das emoções tornará o caminho muito mais fácil. É pré-condição para alcançar seus objetivos e sonhos. Apenas o conhecimento profundo das emoções e como elas interagem especificamente dentro de você, é que poderá torná-la dona de si mesma e de suas emoções.

 

Odair J. Comin

Psicólogo Clínico, Hipnoterapeuta e Escritor

Autor do livro “Mestre das Emoções”.

 

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