Autoconhecimento, Bem Viver

Desenvolva o Autoconhecimento

Desenvolva o Autoconhecimento

A última fronteira para torna-se senhor de si mesmo por meio de um profundo autoconhecimento.

Fractais humanos compõe nossa humanidade nosso autoconhecimento. Somos preenchidos por conteúdos com os quais entramos em contato desde que temos um cérebro capaz de receber dados. O externo nos preenche e nos forma no decorrer do tempo. Quanto mais informações e experiências adquirimos, maior nossa capacidade de absorver e compreender o mundo ao redor. Essa interação por certo é única, pois apenas a sua mente organiza as informações da forma que organiza. Apenas a sua mente vê da forma que vê e interage com o mundo de um jeito muito particular. Contudo, a matéria-prima está sempre no externo. Sem o externo você não existiria da forma que é, tampouco agiria como age.

Ao mesmo tempo em que nos conhecemos olhando para dentro, precisamos também olhar para fora. Esse olhar bilateral, é o que irá formar a figura completa do seu Eu. Fornecendo subsídios mais fidedignos para poder observar e interpretar o mundo interno. O autoconhecimento exige um olhar para longe, exige uma observação mais ampla, visto que você faz parte de um ambiente, você faz parte de um mundo e você não é o que é, sem esse mundo que te forma, que te alimenta, que te mantém e te renova todos os dias. O autoconhecimento não é apenas uma autoscopia, mas também uma observação de como você se desloca e o que absorve do meio. Olhar para si em primeira pessoa e olhar para si em terceira pessoa.

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O autoconhecimento exige um olhar para longe, exige uma observação mais ampla, visto que você faz parte de um ambiente.

Autoconhecimento Acumulado

O autoconhecimento é em verdade a somatória dos conhecimentos absorvidos do mundo externo e como tudo isso interage dentro de si. Portanto, não se pode analisar ou conhecer a si mesmo a partir de si, já que você é consequência do meio. Você é o resultado de algo, sendo assim, é preciso conhecer o que te formou. Esse conhecimento é que fornecerá as informações necessárias para então se conhecer. Olhar apenas para dentro, torna seu autoconhecimento algo míope, você enxerga apenas a consequência de algo e não a causa. A gênese está em outro lugar, a fonte do seu autoconhecimento está no mundo e o que tens dentro de si é o produto dessa fonte. A educação que teve, os livros que leu, os autores que admira. As notícias que ouve ou lê, os blogueiros que segue. A religião que pratica, as crenças que possui. Tudo isso é fonte, e o que eles produzem é incorporado dentro de si, e é isso o que te forma.

Quando você busca se conhecer, são esses os conteúdos que irá encontrar, essa é a massa que irá encontrar para modelar. Todos esses conteúdos interagem, se conectam, combinam entre si, por vezes se chocam, discordam, se contradizem. É toda a porcentagem de mundo externo que você entra em contato e absorve, interagindo com seu mundo interno que é único. É como se você pegasse várias peças de diferentes quebra-cabeças e quisesse montar uma imagem apenas. Nada fácil por certo. Por vezes nosso mundo interno mais parece uma pintura de Picasso, uma imagem disforme montada a partir de diferentes referências e tudo isso coexistindo para formar o que somos. O olhar mais próximo dessa imagem é o que poderíamos chamar de autoconhecimento.

Forças Coexistindo Internamente

Por certo diferentes forças interagem dentro de si. O bem e o mal, a luz e a sombra dançam suas danças periódicas. Se revezam dentro de nós hora se mostrando, hora se escondendo. Não apenas somos bons o tempo todo, nem somos maus. Nem sempre a luz brilha constantemente, tampouco a sombra nos domina por completo. E tudo bem, essa é a dinâmica do nosso mundo interno. É mais fácil errar o alvo do que acertar, por isso precisamos sempre nos esforçar para sermos bons, para enviar energia para que a luz brilhe a maior parte do tempo. Viver no reto caminho certamente dá mais trabalho, ao mesmo tempo, as recompensas amplas são maiores. O que se faz com consciência tranquila, por certo é muito mais estruturado e perdura por mais tempo, por vezes por todo o sempre.

Olhar para dentro de si requer coragem, e nem sempre temos coragem de encarar nossa sombra, de encarar os monstros que habitam o próprio mundo interno.

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Como somos um receptor de informações vindas de diferentes endereços, por vezes tais informações constroem seres disformes, como já dito. Isso pode nos parecer monstruoso quando olhamos para dentro de nós mesmos. Olhar para dentro de si requer coragem, e nem sempre temos coragem de encarar nossa sombra, de encarar os monstros que habitam o próprio mundo interno. E para se autoconhecer é preciso olhar também o que não é bom. Seja para mudar, seja para aceitar, seja para utilizar isso em seu próprio favor ou em favor do outro.

Inquilinos indesejados

O medo é um dos fatores que impedem o autoconhecimento , temos dificuldade em admitir que temos monstros morando em nós. Temos dificuldade em expor para o mundo que temos partes das quais não nos orgulhamos nenhum pouco. Preferimos fingir que não percebemos, fingir que está tudo bem. Preferimos jogar os monstros nos porões do inconsciente e esquecê-los. Contudo, esquecer não é eliminar, mesmo que esqueça eles continuarão lá, continuarão gritando, continuarão te impactando. Apenas quando você decide olhar nos olhos dele e ele olhar nos seus, é que uma relação pode iniciar. Te reconheço em mim, te vejo em mim. Eis o primeiro passo para um processo de mudança, transformação e evolução.

O conhecimento de si acende os refletores do mundo interno.

Um animal domesticado, com o tempo pode até se tornar dócil, pode lhe fazer companhia, uma relação de amizade pode ser criada, uma relação de cuidado, de amor. Da mesma forma podemos usar a mesma estratégia com nossos monstros internos. Eles podem ser domesticados, podem ser inseridos no convívio diário. E quando faz isso, algo se ilumina onde antes havia apenas sombras e você consegue enxergar com mais facilidade, começa a se enxergar, a se autoconhecer. É um processo lógico e natural. O conhecimento de si acende os refletores do mundo interno e quanto mais faz, deflagra-se um efeito em cadeia, contagiando diferentes lugares da sua realidade interna.

Estágios do Autoconhecimento

O autoconhecimento passa por diferentes estágios e a autoanálise é uma delas. A autorevisão deve ser frequente, é necessário uma manutenção constante e permanente, isso porque nosso mundo interno não é algo estático, antes sim dinâmico e mantém-se sempre em movimento. Todos os dias milhares de novas informações chegam, misturando-se com as já existentes. O novo e o antigo estão sempre a se fundir, se reorganizar, fazer novas conexões. Com um emaranhado tão complexo, não se pode esperar que tudo irá acontecer da melhor forma, ou de uma forma perfeita.

Portanto, a manutenção do mundo interno é uma necessidade, uma obrigação constante. Não há autoconhecimento sem isso, o que eu conhecia de mim ontem, já se tornou obsoleto. Hoje sou outro, sou diferente, aprendi coisas novas. Adicionei novos conteúdos, pensei coisas novas, senti coisas diferentes. Exercitei diferentes virtudes, pratiquei alguns vícios, fortaleci qualidades, alguns defeitos apareceram. Não deixo de ser quem eu sou, ao mesmo tempo, não sou mais o mesmo. Continuo acreditando no que acreditava, ao mesmo tempo acredito em coisas novas. Esta é a complexidade do mundo interno, se moldando, se remoldando em uma dinâmica sem fim.

Sobre a Essência de Si

É comum as pessoas dizerem que fazem isso, ou fazem aquilo, mas “minha essência nunca muda, é sempre a mesma”. Ledo engano, essência é algo em movimento, não estático e permanente. O que as pessoas entendem como essência é como se fosse um núcleo inato, imutável e inviolável. A verdade é que a essência é algo construído e reconstruído por toda a vida. A essência é tão simplesmente o que cada um considera mais importante, que pode mudar através do tempo. Que pode mudar a qualquer momento. A essência é o conjunto de tudo o que acreditamos, são crenças, são verdades, são virtudes e qualidades. São defeitos, vícios, comportamentos duvidosos. A essência é composta por tudo o que você pensa, sente, fala e age. E tudo isso é extremamente volátil, mutável, flexível.

Ontem minha essência tinha esse contorno, hoje ela tem outro, e manhã por certo terá outro ainda. E tudo bem. Temos medo de assumir que nossa essência mudou, como se mudar a essência fosse algo ruim, como se tivesse vendido a alma ao diabo. Como se fosse um traidor de si mesmo, um infiel aos seus próprios princípios. Estes que são sinônimo de essência. Claro que você pode mudar para pior, mas não há nenhum problema em mudar sua essência. Isso porque, você precisa estar confortável com seus princípios, caso não esteja, seus princípios te fazem mal. E te fazendo mal, não são bons princípios para você. Sua essência não é uma estátua de bronze, antes sim uma figura moldada com massinha. Isso não quer dizer que você é facilmente manipulável. Quer dizer que você pode se adaptar às diferentes realidades com facilidade.

A essência é tão simplesmente o que cada um considera mais importante, que pode mudar através do tempo.

Essência Imutável

Há algumas coisas na essência que por certo deveriam ser imutáveis, como fazer o bem a si, ao outro e a natureza. Ter atitudes virtuosas, ser polido na medida do possível, ser educado, gentil e respeitoso. Contudo, a essência não é formada apenas disso, tampouco conseguimos ter tais comportamentos o tempo todo. Por vezes em frente a uma mesa farta come mais que o necessário. Isso te torna intemperante, ou seja, um vício. Isso seria o suficiente para macular sua essência e por certo faz. E tudo bem. Nem sempre conseguimos caminhar em linha reta, apenas deixando pegadas no meio, por vezes cambaleamos de um lado para o outro. Pecamos por excesso, pecamos por falta. E tudo bem.

Que devemos almejar o equilíbrio, disso sabemos todos. E precisamos, sem dúvida, toda vez que cambalearmos, voltar o mais rápido possível para a trilha central. Que a obrigação não seja sempre estar nesse trilhar o caminho do meio, mas que nos esforcemos o máximo para manter-se nele e esporadicamente deslizar para um lado ou outro. Talvez alguém poderia olhar para isso e dizer “que absurdo, não se pode incentivar o deslize, temos que nos manter no reto caminho sempre”. E quem é capaz disso? Pergunto eu. Ter que fazer sempre de um mesmo jeito, não seria um pecar por excesso? E então estar sempre em equilíbrio, ou sempre na virtude seria portanto uma espécie de vício? Que atirem seus comentários e críticas quem nunca cedeu aos encantos do excesso ou da falta. Ou comente exatamente por ter feito.

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Mente Autolimpante

Autoconhecimento também tem a ver com a limpeza do que já não se quer mais, limpeza do que incomoda, do que faz mal. E por vezes temos mais dificuldade em aceitar o novo do que abandonar o antigo. Nos apegamos de tal forma que nos tornamos dependentes do passado. Dependentes de modelos específicos de pensar, de modelos de relacionamentos. Nos apegamos ao que foi e por vezes não é mais. Nos apegamos ao que conhecemos e faz mal, e por mais que cause sofrimento, não nos sentimos motivados para sair desse lugar. A famigerada zona de conforto, que o mais das vezes é desconfortável. Nos apequenamos frente a mudança, frente a novas possibilidades e recuamos. Nos enclausuramos com nossa própria dor, com nossos monstros, com nossa desgraça.

Se Conhecer para se Superar

Para se conhecer a si mesmo, é preciso transpor a barreira do comodismo, transpor a barreira do medo do novo. É preciso ir além. É exatamente por desconhecer a nós mesmos, desconhecer as reais potencialidade e forças, é que recuamos. Não damos o passo que precisa ser dado, não damos um basta ao que nos incomoda. Nos acovardamos frente a vida, que dá inúmeras oportunidades de evoluir, viver de forma melhor, romper com a mesmice, romper com ciclos viciosos. Nos paralisamos e esperamos a oportunidade passar para então iniciar o autoflagelo. Tentamos nos convencer de que não era a hora, de que não seria capaz, de se lamentar a oportunidade perdida, de culpar alguém pelo ocorrido. Podendo assim voltar a prometer a si mesmo que na próxima oportunidade não deixará passar. Mas é apenas um afago dissimulado para minimizar a culpa, minimizar a covardia, minimizar a própria fraqueza.

Nos apegamos ao que foi e por vezes não é mais. Nos apegamos ao que conhecemos e faz mal, e por mais que cause sofrimento, não nos sentimos motivados para sair desse lugar.

Se autoconhecendo para se libertar

O autoconhecimento visa a libertação de si. O fato de saber do que é capaz, o fato de conhecer suas forças e fraquezas. Admitir a si o que precisa ser melhorado e buscar alternativas. Por outro lado, conhecer suas forças e usá-las a seu favor para evoluir, para se levar onde deseja ir, onde deseja chegar. Se conhecer para se fortalecer. Se conhecer para se transformar. Se conhecer porque sem o conhecimento de si não será capaz de se dominar. De assumir o comando de si. O autoconhecimento te torna um general de um exército, um general que conhece muito bem seus soldados, para que assim possa estabelecer estratégias e guiá-los para o objetivo, para a conquista, para a vitória. Para a conquista de si mesmo.

Odair J. Comin
Psicólogo Clínico, Hipnoterapeuta e Escritor.
Autor do livro: “Senhor de Si Mesmo”

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